Um diferencial competitivo do Brasil para o desenvolvimento da biotecnologia é sua notável biodiversidade.
Considerada a diversidade genética e bioquímica presente neste patrimônio natural, depara-se com um universo de oportunidades para a inovação biotecnológica. Além disso, a distribuição regional diferenciada desta biodiversidade cria oportunidades para um desenvolvimento econômico que valoriza as especificidades locais, capaz de estruturar arranjos produtivos sustentáveis baseados em aplicações biotecnológicas.
O termo biotecnologia é amplo e engloba diversas áreas de estudos. Diferentes países e organizações do mundo utilizam diferentes definições quando se referem à biotecnologia. A Fundação Biominas adota o conceito sugerido pela Convenção da Diversidade Biológica (CDB), em 1992, que estabelece como biotecnologia qualquer aplicação tecnológica que utilize sistemas biológicos, organismos vivos ou derivados destes para produzir ou modificar produtos ou processos para usos específicos.
A aplicação em escala industrial e empresarial dos avanços científicos e tecnológicos advindos da pesquisa biológica constitui o chamado setor de biotecnologia. O mesmo representa um dos setores mais promissores da economia e vem crescendo rapidamente nos últimos anos, tendo dobrado de tamanho no último decênio (Ernst & Young, 2000). Os avanços biotecnológicos têm potencial em impactar diretamente a qualidade de vida da população e gerar desenvolvimento econômico e social, razão pela qual tem recebido grandes investimentos governamentais e privados. No Brasil, integra, atualmente, a base produtiva de diversos setores da economia, com um mercado que atinge aproximadamente 3% do PIB nacional. Estima-se que, em 2000, a bio-indústria no Brasil faturou um valor entre R$ 5,4 e R$ 9 bilhões (US$ 2,3 a US$ 3,9 bilhões) e gerou quase 30.000 postos de trabalho (Biominas, 2001).
Dentro do contexto nacional, destaca-se o estado de Minas Gerais. O pólo de biotecnologia mineiro foi considerado pelo Banco Inter-Americano de Desenvolvimento (BID) o mais importante pólo de biotecnologia da América Latina, evidenciando o potencial do país em assumir papel de destaque no cenário da biotecnologia mundial. Contribuem, ainda, para este quadro, a biodiversidade e abundância de recursos naturais, a existência de mão-de-obra qualificada e o reconhecimento da qualidade das pesquisas científicas brasileiras.